Maratona do Rio: coração, perna e história em cada passo
Há provas que são apenas percursos medidos. Há outras que são verdadeiros encontros com a cidade, com o esforço e com a própria história. Assim foi a 9ª edição do Desafio da Cidade Maravilhosa. A Maratona do Rio, que reúne quem ama correr por entre os cartões‑postais mais famosos do mundo.
Começo antes do sol
A jornada começou cedo, por volta das 4h da manhã, na Reserva do Recreio. O frio leve tornava o ar agradável, condição perfeita para manter ritmo e controle. O corpo respondia muito bem, sem dores, isso foi fruto direto de três dias de recuperação cuidadosa em casa, com descanso, gelo e massagem, que prepararam bem a musculatura para o esforço longo.
Às 5h50, após a saída dos grupos de Elite, PCD e Avançada, foi a nossa vez. A estratégia traçada era clara: manter ritmo constante e forte desde cedo, sempre com atenção redobrada enquanto ainda havia pouca luz. Percorremos cerca de 6 km dentro da reserva, onde a sombra e a tranquilidade ajudavam a concentrar‑se; depois a orla da Barra da Tijuca apareceu já sob a luz do dia, abrindo caminho para o coração do percurso tradicional da prova.
Pela cidade que acolhe
Esse trajeto antigo, que voltou nesta edição, é conhecido e querido por todos os corredores por isso resolvi registrar partes do caminho e ainda conversar com outros corredores, transformando a corrida também em um relato coletivo. Ao longo da Barra, São Conrado, subida da Niemeyer, Leblon, Ipanema e Copacabana, uma coisa se repetia: gente nas calçadas aplaudindo, gritando nomes, estendendo água e energia. Esse apoio não é detalhe é força extra que entra pelos ouvidos e vai direto às pernas.
Houve momentos de encontros especiais: na subida da Niemeyer, um amigo corredor da Rocinha apareceu e me ofereceu ajuda, um saquinho com coca‑cola gelada que caiu como alívio perfeito. Mais adiante, ao incentivar um senhor da Polônia que caminhava, recebi um sorriso e palavras que não entendi, mas cujo sentido era universal: solidariedade de estrada.
Os últimos quilômetros e a marca que se renova
Seguimos por Botafogo e chegamos ao Aterro do Flamengo, ponto alto da torcida, mas também onde a multidão invadiu parte da pista, estreitando o caminho e atrasando o ritmo mas sem problemas algum.
Houve ainda o pequeno contratempo de esbarrar‑me com alguém que estava no percurso, mas a regra da maratona é clara: seguir em frente.
Daí em diante, Avenida Primeiro de Março, Praça XV, frente às Barcas e a placa dos 40 km, sinal de que o final estava próximo. Acelerei na reta final, cruzei a linha com 3h32min48seg, tempo 11 minutos melhor que no ano anterior.
Mais do que o tempo, o que faz esta edição especial é manter viva uma marca pessoal: estou presente em todas as edições, sem faltar uma vez. Correr a Maratona do Rio é, para mim, não só completar 42 km, mas continuar escrevendo parte da história dessa prova que é a cara da cidade maravilhosa.
Para quem corre: o percurso é longo, mas o clima, a cidade e a torcida fazem cada passo valer muito mais.
Obrigado a Spiridon Eventos, por nos proporcionar esses momentos incríveis. Sem vocês, nada disso seria possível. Obrigado por acreditar em mim e por me dar a oportunidade de superar meus limites que venha a edição de bodas de prata da Maratona do Rio em 2027.
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