Desafios, Túneis e Pódio: Minha Jornada na 5ª Maratona de Niterói seguida
No último domingo, 27 de setembro, as ruas de Niterói foram palco da 5ª edição da Maratona de Niterói, organizada pela 3A Eventos. Um evento completo que reuniu atletas na maratona solo (42 km), revezamentos (dupla e quarteto), provas de 16 km, 6 km e a corrida infantil.
Eu estava lá para encarar o
desafio principal. Esta é a história de como superei cada quilômetro até
alcançar uma conquista inédita.
A Preparação e a largada silenciosa
A jornada começou no escuro.
Cheguei ao local por volta das 4h50 da manhã. O ar estava fresco,
sem estar fazendo frio. Me aprontei, guardei a minha mochila no
guarda-volumes e fiz um breve aquecimento.
Alinhei na largada
concentrado, mentalizando a estratégia. Senti falta do tradicional som do saxofone que embalava as largadas das edições anteriores, mas o foco era total. O dia começava a clarear sob um céu
nublado um presente do clima para evitar o calor forte. Meu objetivo era
claro: baixar o tempo de 3h42min conquistado no ano anterior. Às 5h29, a elite partiu. Às 5h30,
foi a vez do pelotão geral. Pé no asfalto, lá fomos nós mais uma vez desbravar Niterói.
Os Primeiros Desafios e a
Solidariedade na Pista
Logo no início, ao passar em
frente às Barcas, um dos meus géis de carboidrato escorregou da cintura. Em
alta velocidade, decidi não parar, afinal, ainda tinha outros cinco na cintura. Mas o
espírito da corrida falou mais alto: um amigo que vinha logo atrás pegou o gel
e me devolveu na corrida. Gratidão total!
Com cerca de 3,6 km de
prova, veio o primeiro teste: a subida do Museu de Arte Contemporânea (MAC).
Como o corpo ainda estava esquentando, subi com cautela. No topo, nem olhei
para o lado para apreciar a vista espetacular do MAC; o foco era o relógio. Embalei na
descida e segui firme pela orla de Icaraí, cumprimentando rapidamente alguns amigos
pelo caminho.
Na sequência, enfrentei a
Estrada do Fróes, subindo pelas tangentes para economizar energia. Ao descer,
contornamos as praias de São Francisco e Charitas rumo a um dos pontos mais
críticos do percurso: o Túnel Charitas-Cafubá.
O Calor do Túnel e a Beleza
de Piratininga
Entrar nos 1.350 metros do
túnel é encarar uma dimensão à parte. Lá dentro, a sensação é de uma corrida
infinita e abafada. Acelerei o ritmo só para sair logo dali o mais rápido possível.
Dentro do túnel
De volta ao asfalto,
avançamos até o bairro de Piratininga, onde contornamos a lagoa e alcançamos a
orla da praia no km 18, palco da famosa Nit Ultra Run 12h. Foi ali que outro gel caiu da
minha cintura. Dessa vez, por conta da vaselina que passei antes da prova. Nem
pensei em parar, mas o amigo Almir, da Equipe Max, viu o momento e me entregou
o gel. A camaradagem do asfalto não tem preço! (Obrigado amigo).
Por volta do km 22, entramos
na calçada da lagoa. O grande barato dessa prova é que você nunca corre
sozinho. A mistura do pessoal da maratona com os atletas do revezamento cria
uma energia constante, empurrando quem já começa a sentir o peso das pernas.
A Luta contra o cansaço e a alma que "Sucumbiu"
No km 25, o retorno do
percurso começou a cobrar seu preço. O cansaço físico era evidente, embora eu
não sentisse dores graves. Cruzar o túnel novamente, desta vez em uma leve
subida e com o ar abafado, foi pura agonia. Mantive o ritmo no limite até sair desse túnel.
De volta à Estrada do Fróes,
a subida foi impiedosa: a alma já tinha sucumbido ali mesmo! Risos à parte,
continuei entregando o que tinha. Já em Icaraí, uma corredora do revezamento
emparelhou comigo filmando ela e resolveu me filmar e fazer algumas perguntas por uns instantes. Respondi com
simpatia, desejei boa prova, mas devido o cansaço não lembrei naquele momento de perguntar o nome da página dela, no estado em que eu estava, só pensava na linha de chegada...rsss. Ainda na orla, precisei
pedir licença a alguns pedestres que caminhavam e corriam pelo percurso. Foco total nos
últimos quilômetros.
O "Quilômetro do
Amor" e a Reta Final
No km 37, encontrei o melhor
respiro da prova: as meninas do Quilômetro
do Amor (organizada pela amiga Rosane). Com um apoio sensacional, distribuindo refrigerantes, bananada e
passando spray para dor, elas dão a energia necessária para o sprint final. Como não estava sentindo dor, pois não parei, cumprimentei elas e amiga Rosane me deu uma bananada. Fica aqui o meu enorme agradecimento!
Mas a maratona guarda seus
momentos mais duros para o fim. De cara com a segunda subida do MAC, não teve
jeito: o corpo esgotado pediu caminhada. Assim que cheguei ao topo, joguei o
corpo para a frente e desci forte.
Faltavam menos de 5 km, mas
a sensação era de uma eternidade. Passei por vários corredores que já estavam
no limite, deixei palavras de incentivo e continuei avançando. Passando
novamente pelas Barcas, outro gel caiu. A menos de 1 km do fim, nem cogitei olhar para
trás para pegar, prossegui em frente.
Faltando pouco para terminar
A Linha de Chegada e o
Pódio Inédito
Avistei o pórtico final,
reuni minhas últimas forças e acelerei. Cruzei a linha de chegada cravando 3 horas, 48 minutos e 6 segundos
nos 42,195 km. O recorde pessoal não veio
desta vez, mas a sensação de dever cumprido em uma maratona tão dura e exigente
foi indescritível. E a maior surpresa ainda estava por vir: horas mais tarde,
veio a confirmação de que conquistei o pódio na minha faixa etária pela primeira vez em cinco
edições!
💨
Missão cumprida
Uma conquista vibrada com a alma, que corou todo o suor, a raça e a paixão depositados em cada metro dessa prova. Obrigado Deus por mais uma conquista. Que venham os próximos desafios!